Laguna Glaciar, lago de alta montanha a mais de 5.000 metros de altitude no maciço do Illampu, Bolívia. Foto: Bjork / Wikimedia Commons, licenciada sob CC BY-SA 3.0
A 5.038 metros de altitude, na província de Larecaja, no departamento de La Paz, na Bolívia, a Laguna Glaciar ocupa um lugar raro entre os corpos d’água do mundo: está entre os lagos mais elevados já registrados no planeta. Encaixada no maciço formado pelos nevados Illampu e Ancohuma, na Cordillera Real, essa pequena lagoa de apenas 0,2 km² é alimentada diretamente por um glaciar suspenso que desce da montanha — um espetáculo que poucos viajantes chegam a presenciar pessoalmente, dado o esforço físico necessário para alcançá-la.
A região é conhecida entre montanhistas havia décadas como ponto de partida para escaladas ao Illampu e ao Ancohuma, dois dos picos mais altos da Bolívia, mas a própria lagoa, isolada por sua altitude extrema, permanece como um destino quase exclusivo de trekkers experientes e alpinistas.
Por que a altitude é o verdadeiro desafio
Diferente de trilhas tecnicamente difíceis por causa do terreno, o trajeto até a Laguna Glaciar é fisicamente exigente sobretudo pela altitude. A rota tradicional começa na vila colonial de Sorata, a cerca de 2.700 metros, e sobe progressivamente até a Laguna Chillata, a 4.213 metros, primeiro ponto de acampamento — antes de seguir para a Laguna Glaciar, a mais de 5.000 metros, onde o ar já contém significativamente menos oxigênio disponível.
Mal aclimatados, muitos visitantes sentem os efeitos do mal de altitude nesse trecho final: dor de cabeça, falta de ar e fadiga acentuada são comuns mesmo em caminhantes fisicamente preparados. Por isso, guias locais recomendam pelo menos dois dias de progressão gradual antes de alcançar o acampamento junto à lagoa, em vez de tentar o trajeto em um único dia a partir de Sorata.
Um ponto de partida para escaladas técnicas
Para alpinistas, a Laguna Glaciar não é o destino final, mas a base de operações para tentativas de cume no Illampu — considerado um dos picos de 6.000 metros com a rota normal mais difícil de toda a Bolívia — e no Ancohuma, ligeiramente mais alto. A partir do acampamento base próximo à lagoa, a escalada segue por blocos de granito, morrenas glaciais e, por fim, o próprio gelo, até alcançar um platô glacial a quase 5.800 metros, onde fica o acampamento de altura antes da tentativa final ao cume.
Essa combinação de trekking acessível até a lagoa e rota técnica de escalada logo acima faz da região um raro caso em que iniciantes em altitude e montanhistas experientes compartilham, por um trecho, o mesmo caminho — antes que suas jornadas se separem completamente em nível de dificuldade.
Informações práticas
Como chegar a Sorata
Sorata fica a cerca de 150 km de La Paz, com acesso por estrada totalmente asfaltada. Há transporte público regular partindo do Cemitério Geral de La Paz, com viagens saindo a cada 30 minutos através de empresas como Trans Unificada e Trans Perla del Illampu. O trajeto costuma levar entre três e quatro horas.
Organizando o trekking
Em Sorata, associações locais de guias organizam tanto o trekking até a Laguna Glaciar quanto o transporte em 4×4 e o aluguel de mulas para carregar equipamento até pontos como a Estancia Tusca Jahuira. Contratar um guia local não é apenas recomendável — em trechos de altitude extrema como esse, é praticamente essencial para segurança e orientação.
Melhor época para a caminhada
A janela ideal vai de maio a setembro, coincidindo com a estação seca da Cordillera Real; junho e julho costumam oferecer as condições mais estáveis. Entre janeiro e março, fortes chuvas tornam trilhas e acessos bem mais arriscados, além de reduzir a visibilidade das montanhas.
Para quem quiser mais informações sobre acesso, guias credenciados e outros atrativos da região, o Governo Autônomo Municipal de Sorata mantém um site oficial de turismo com detalhes atualizados sobre o município.
Larissa Belmonte documenta destinos de alta montanha na América do Sul que exigem preparo físico real, com atenção especial aos riscos de altitude muitas vezes subestimados por viajantes.




