Cânion do Guartelá, esculpido pelo Rio Iapó ao longo de quase 30 km, Paraná, Brasil. Foto: Felipe Timmermann / Wikimedia Commons (domínio público)
No interior do Paraná, entre os municípios de Castro e Tibagi, o Rio Iapó abriu caminho através da Escarpa Devoniana e formou uma fenda retilínea de quase 30 km de extensão e até 450 metros de profundidade em alguns trechos. É o sexto maior cânion do mundo em extensão e o mais longo do Brasil — dado que raramente aparece em roteiros de viagem, apesar de o local estar a pouco mais de duas horas de Curitiba. Poucos viajantes brasileiros sabem que uma formação geológica dessa escala está tão perto de uma capital de estado.
O cânion está protegido dentro do Parque Estadual do Guartelá, criado em 1992 para preservar tanto a paisagem quanto o patrimônio arqueológico da região — incluindo pinturas rupestres com cerca de sete mil anos, deixadas por povos indígenas que habitavam as margens do Iapó muito antes da colonização portuguesa.
Cenários que ainda escapam do turismo de massa
Diferente de cânions mais conhecidos internacionalmente, o Guartelá conserva vegetação nativa ao longo de quase toda a sua extensão — característica que, segundo pesquisadores, o torna único entre os grandes cânions do planeta, já que a maioria perdeu parte da cobertura vegetal original por erosão ou ocupação humana. Dentro do parque, a Cachoeira da Ponte de Pedra despenca por cerca de 180 metros, formando poços naturais conhecidos localmente como “panelões”, usados para banho em trechos autorizados.
As trilhas — a Trilha Básica e a Trilha das Pinturas Rupestres — cruzam campos rupestres, afloramentos de arenito esculpidos pelo vento e formações rochosas em miniatura, um cenário que lembra mais o sul dos Estados Unidos do que o interior do Paraná. A visita às inscrições rupestres exige acompanhamento de guia credenciado, o que ajuda a preservar tanto os sítios arqueológicos quanto a sensação de isolamento do lugar — não há estrutura de turismo em massa, food trucks ou multidões, apenas trilha, pedra e o som do rio Iapó ao fundo.
Informações práticas
Como chegar
Partindo de Curitiba, o trajeto mais comum segue pela BR-376 até Ponta Grossa, depois pela PR-151 até Castro e pela PR-340 até a entrada do parque, com um trecho final de estrada não pavimentada de cerca de 1,5 km. Quem vem do lado de Tibagi acessa diretamente pela PR-340 até o mesmo ponto. O trajeto total desde Curitiba costuma levar entre duas horas e meia e três horas, dependendo das condições da estrada de terra no trecho final.
Horários e regras de visitação
O parque funciona em horário diurno, e todos os visitantes precisam estar de volta ao Centro de Recepção até as 18h, quando as atividades são encerradas — não há pernoite dentro da unidade. As trilhas com pinturas rupestres só podem ser percorridas com guia autorizado pelo Instituto Água e Terra (IAT), órgão ambiental que administra o parque; a Trilha Básica pode ser feita sem acompanhamento em boa parte do percurso.
O que levar
Calçado fechado e com boa aderência é essencial, já que parte do trajeto passa sobre rocha exposta e pode ficar escorregadia após chuva. Leve água em quantidade generosa — não há pontos de venda dentro do parque —, protetor solar e, se pretende usar os poços naturais, roupa de banho e uma toalha. Como grande parte da trilha não tem sombra, o melhor horário para caminhar é pela manhã, evitando o sol mais forte do meio da tarde.
Antes de planejar a visita, vale confirmar horário de funcionamento e eventuais restrições de acesso diretamente na página oficial do Instituto Água e Terra sobre o Parque Estadual do Guartelá, já que a unidade passou recentemente por processo de concessão que pode alterar regras de visitação ao longo do tempo.
Larissa Belmonte documenta destinos naturais brasileiros que raramente aparecem em guias de viagem convencionais, com atenção especial a unidades de conservação pouco divulgadas.




